Paula Parreira

repórter + esportes + música + Itumbiara + jornal + Goiânia + futebol + mostarda + dorminhoca + tênis + orkut + blog + família + óculos + café + colar + fotos + Pateta + O Popular + marshmallow + amigos

Quarta-feira, Dezembro 16, 2009

É incrível eu ainda não ter lido a Vida Simples de dezembro completa. Isso não é normal. Mais: li a matéria de capa, sobre as diferenças e tolerância, e não lembro muito do conteúdo, o que é sinal de que li com a cabeça no mundo da lua. Concentração mínima no fim do ano. E isso não pode continuar assim.

***

Nada é garantido. É como dizem no futebol. Você pode fazer o investimento mais alto no time, contratar os maiores craques, uma linha de ataque fulminante e uma defesa intransponível, dar a maior premiação e entrar na disputa do campeonato. O título é garantido? Não. As chances podem até aumentar, mas nada é garantido.

Então, é assim também.

Não adianta ter mais coisas em comum do que divergentes.
Não adianta toda a gentileza do mundo e você gostar de ser bem tratada.
Não adianta ser compatível no pedido de sobremesa.
Não adianta gostar das mesmas músicas.
Não adianta respeitar as escolhas numa demonstração de tolerância.
Não adianta as famílias adorarem as pessoas.
Não adianta o amorzinho ser ótimo.
E não adianta ter tudo isso junto.

Dar certo é inexplicável. Se consegue com trabalho, é verdade. Tem que ter dedicação. Mas é meio mágico assim. E não. Eu não dei certo. Ainda.

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O que determina algumas ações é o momento em que algo requer uma atitude ou determinada postura. Vi 500 Days of Summer duas vezes, uma em Brasília (né, Fabi?) e outra no cinema em Goiânia mesmo. Quando vi em Brasília (!), saí decidida a escrever sobre o filme. Disse que faria, na verdade, um manifesto.

O manifesto seria em defesa das garotas confusas, que querem uma coisa hoje e não querem amanhã, que não gostam de compromissos com os outros, só com elas mesmas, que torcem os narizes pros caras que grudam, que não gostam das formas convencionais de romantismo e de relacionamento, que têm a própria vida e gostam mais de se divertir do que ficar de namorandinho por aí - eu sei que, neste caso, uma coisa não exclui a outra, mas o lance é para os casos em que a exclusão é fato. No boró todo que dá o relacionamento dos dois personagens
centrais, fiquei do lado da Summer.

Aí, eis que, nesta altura do campeonato, eu fiquei meio que do lado do Tom. Achei a Summer uma bruaca em alguns momentos. Mas é o tal lance de acreditar que com a gente vai ser diferente. Ela avisou o Tom? Avisou. Mas ele tinha esperança de que algo mudasse, de que ela passasse a considerá-lo uma possibilidade. E achei muito cruel o que ela diz (aquilo de não ter certeza) pra ele no final.

Quarta-feira, Dezembro 02, 2009

Goiânia Noise e jogo decisivo do São Paulo em Goiânia, contra o Goiás, é uma combinação temerária para uma semana só. E ainda emendou com o aniversário da Fabi, que foi tudo de bom. Agora, semana começa de farol baixo. Começou terça-feira pra mim. Vamos ao que eu vi do Noise. Só não fui no domingo, porque estava no jogo. Mas acho que não iria se não estivesse no jogo.

FICTION
O cara que discotecou e eu queria ver, o Paul Jones, tocava umas músicas bem legais junto com outras bem chatinhas. Era um "tuntztuntz" intercalado com roquinhos bem dançantes. Gostei demais de Soundscape, a melhor da noite pra mim. Massa mesmo. E o Motherfish foi bem legal também. Não vi/ouvi/dancei o Miranda, que é o cara do Ídolos, que é um programa que eu não vejo. Mas ele já produziu o CSS. E CSS eu ouço.

METRÓPOLIS
Sem os melhores amigos, mas num show gostosíssimo que eu sempre adoro: Sapatos Bicolores. Não ouvi o segundo disco, mas conhecia algumas músicas que não estão no primeiro. Deve ser de algum outro show. Lourdes e Eduardo foram companhias ótimas. The Name surpreendeu. Gostei. Mas fiquei brava com a pontualidade. Cheguei 15 minutos atrasada e peguei só duas músicas do Bang Bang Babies. Mas, pensando bem, nem fez falta.

CERERÊ

Devotos (PE)
É legal de dançar, mas não é fácil. A música muda de ritmo o tempo todo. Manguebeat, rock, reggae. A mistura não ajuda muito quem tem falta de coordenação pra dançar. Aliás, quem tem também tem dificuldades. Mas foi legal. O show inteiro é uma pregação, como em geral acontece com bandas de Pernambuco. A cada 10 palavras, 11 eram"social". Isso enche o saco às vezes, mas tinha uns "é do caralho" e"vai tomar no c..." pra espairecer. Agora, o cara merece meu respeito porque estava com a camisa do Santa Cruz. E por torcer pra um time que está na Série D, tem que ser respeitado.

MQN + Walverdes
Nunca fui num show só do Walverdes, mas já fui em vários só do MQN. E achei a mistura muito foda. Ponto.

Móveis (DF)
Eu adoro dançar e pular com esses caras. Acho o frontman simpático, com a voz bonita, animado. Mas o lugar estava muito cheio. Fui tropeçando e pisando nas pessoas até chegar a um lugar mais tranquilo. Mas tinha um cara com uma mochila enorme nas costas na minha frente. E o cara pulava, dançava e se virava pra conversar com o amigo dele como se não existisse mais ninguém em volta. Não gosto de pessoas assim. Saí de perto depois de levar muitas mochiladas. Aí cheguei ao pior lugar pra ver o show. Tem espaço, mas você só vê as armações de ferro da estrutura do palco. Fica num ângulo de quase 180º. Mas respira bem.Calor infernal, amenizado por conta do lacinho de cabelo que eu pedi e uma menina que estava sentada me emprestou. Gosto de pessoas assim. Saí faltando umas duas músicas, mas não me lembro de ter dançado tanto num show desde... sei lá, o dos Strokes em 2005.

Black Drawing Chalks + Chuck
Tava cheio, mas não tanto quanto no show do Móveis. Foi legal, mas não fiquei o tempo todo.

Mechanics
Não gostei.

Dirty Projectors
O melhor do Noise, apesar de deprê em alguns momentos. E eu gosteimesmo foi do hit que passei a tarde inteira ouvindo. No hit, deu pradançar.

(Não descrevi muito os shows de sábado porque fiquei com preguiça)

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Adorando a história da Anita, mas sem muito tempo pra ler. Mas leio coisas do tipo: "Me via separada de todos pela variedade muito particular de autismo que me impedia de acreditar na possibilidade de conhecer gente nova nesse pedaço de mundo em que tinha me enfiado".

Sábado, Novembro 14, 2009

Não consigo prever o futuro. E achei que não era legal perder uma oportunidade de estar com os pais depois de uma semana difícil pra eles. Cansar, cansa. Mas depois, mesmo que seja daqui duas semanas, eu arranjo um tempo pra descansar. Os filmes que estrearam ontem não passam aqui, mas eu posso vê-los depois, outro dia. O fato é que a impotência já é grande pra quem está no olho do furacão. Imagina quem está noutra cidade, de distância próxima, mas com dias de trabalho que não pode faltar. É isso. Dei os abraços que queria ter dado quarta-feira. E agora estou sozinha em casa em Itumbiara. A sensação não é boa, não. A mãe saiu dizendo que não estava gostando dessa ideia de me deixar só aqui. Mas a gente tem que fazer isso, de deixar as pessoas sozinhas, de vez em quando. Estamos eu e os novos sensores de alarme da minha antiga casa.

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Sonhei que ele tocava piano pra mim. Nem sei de onde apareceu esse tal piano, se tem alguma relação ou não. Mas é que já tenho tanta informação. Algumas que eu nem deveria ter, mas tenho porque não me aguento. Aí chega uma hora que a gente não tem mais noção do que deve/pode saber ou não. E do que pode aparentar saber ou não.

Ele pediu pra eu escolher a música, mas eu não conhecia muitas coisas que ele gostava, sempre clássicas ou jazz. Ou clássicos do jazz. Mas aí ele tocou uma bossinha.

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Você não procura. Procura por um tempo até. Mas aí, quando cai na real, não o faz mais. Aí num dia em que você faz tudo igual ao que sempre faz, ele aparece lá. É uma voz no rádio. E invade a sua rotina assim. É uma coisa que você faz todos os dias: ouvir o noticiário no rádio, com aquele âncora que você gosta, no caminho para o trabalho bem no meio da tarde. E numa emissora que, até quando você tinha notícia, não era a dele. A gente não tem mesmo controle das coisas.

Terça-feira, Novembro 03, 2009

Como vi num filme outro dia, um corpo de 27 anos não se recupera como um de 26. Até pensei por um momento, mas já desisti de maneirar na comemoração.

É hoje, o aniversário.

Quem passa por aqui e quiser passar lá, Glória é o local em que tomarei um chopinho com os amigos. Umas 20h30. Sem mais para o momento.

Quinta-feira, Outubro 29, 2009

É normal...
...não querer levantar da cama e acordar, obrigada, às 14 horas num dia de semana?
... sair de carro, sem almoço e sem fome, sem rumo para o lugar de almoçar porque você não quer almoçar em lugar nenhum?
... comer por comer?
... só querer ver a família mais próxima e não querer muito ver os outros?
... ter um dia totalmente alegre e não achar que é normal?
... se sentir atacada com qualquer coisa?
... não se sentir em sintonia com as pessoas?
... ser ansiosa o tempo todo e não estar ansiosa justo agora?

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Eu não...
... vi show do U2 em lugar nenhum, nem no youtube.
... vi Bastardos Inglórios.
... uso o tweetdeck.
... cancelei minha assinatura e parece que agora ela se renovou por mais dois anos (quando é que as assinaturas de revista passaram a ter vida própria?).

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É legal quando a gente fica satisfeito por ser como a gente é. Mas não é quando a gente acha que não está sendo legal e, apesar disso, não consegue mudar.

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A gente não tem como saber o que é bom pras pessoas. É melhor respeitar as escolhas e fazer as escolhas da gente. Sem pensar nos outros também. E é a gente que tem que cuidar das coisas da gente. Não esperar que os outros o façam. Eles não vão fazer.

Quinta-feira, Outubro 15, 2009

Todo mundo escreve sobre os lugares em que foi. Menos o meu irmão, porque ele não escreve essas coisas, só sobre processos. E aí que eu escrevi sobre o Paraguai. Sobre Assunção, na verdade. Minha primeira viagem internacional - olha que beleza! - foi para o Paraguai.

E se você está de férias, não vá a Assunção. Vá pra uma praia do Nordeste, pra uma cidade histórica do interior de Minas Gerais, pra alguma cidade com belezas naturais, como as da região da Chapada Diamantina, ou para alguma capital brasileira cheia de atrativos. Mas não vá a Assunção. Se você tem uma semana de folga, também não vá a Assunção. Agora, se você está fazendo um tour pela América Latina, conheceu o sul do Paraguai ou qualquer outro lugar e está subindo, pode até dar uma passadinha. Mas dois dias são pra lá de suficientes. Ou então vá a Assunção se realmente não tiver outro jeito. Tipo: um parente seu próximo morreu por lá ou você tem que trabalhar. Bem, eu tinha que trabalhar.

Não é que a cidade seja ruim. Me surpreendeu pro lado bom. Mas é que fui esperando o pior. O pior do pior. A cidade não é suja, as pessoas não são chatas, não vi criminalidade, não comi mal e não gastei muito dinheiro. Mas não tem muito o que fazer. O que me surpreendeu mesmo foi a arquitetura da parte histórica do centro. Muito bonita, imagino que seja da época da colonização. É até bem conservada.

Os monumentos e prédios históricos são legais. Palácio do Governo, o antigo Palácio do Legislativo, a Catedral, o Palácio dos Leões, a Universidade Católica e alguns museus. Tem alguns locais que são espécies de santuários em homenagem a mártires da luta contra a ditadura, que foi bem forte no Paraguai e durou mais de 30 anos. Isso me fez lembrar Itumbiara. É que tem uma história de que Alfredo Stroessner, o ditador, passou um tempo no Hotel da Vila de Furnas quando deixou o Paraguai deposto, uma coisa assim.

Então, continuando, dá para passear de barca no Rio Paraguai. Não fiz isso, mas vi o porto. E, à beira do rio, está um dos maiores contrastes de Assunção. Ao lado do suntuoso Palácio do Governo tem uma favela. Há contraste nas ruas da capital paraguaia. Enquanto executivos e burocratas passeiam pelo centro no horário de almoço, dividem espaço com meninos de rua (muitos) e ambulantes (muitos mesmo). O comércio informal é livre.

Aí você me pergunta: "Mas se a pessoa quiser fazer compras, vai a Assunção, certo?". Certo. Mas se for só pra fazer compras, só mesmo, que vá a Ciudad del Leste, que é mais perto, na fronteira, e contempla o objetivo sem maiores problemas. Mas que as compras no Paraguai compensam, isso compensam. Em qualquer lugar. E, se você está em Assunção, faça compras sim. Tênis, perfumes, eletrônicos, artigos de marcas esportivas famosas. Tudo por um preço bem mais baixo, por causa do imposto baixo. É aproveitar pra trazer a muamba. Até porque, quando você disser que está indo ao Paraguai, todo mundo já vai achar que você está indo lá pra isso mesmo, pra "muambar".

A galera

Ranzinza que sou, não fui tão ranzinza no Paraguai. Precisava de informações e serviços, então tinha que tratar bem as pessoas e fazer amizades. O mensageiro do hotel foi logo me perguntando de que cidade eu era. Diante da resposta, disse que assistiu a Dois Filhos de Francisco, que a mãe e a irmã dele choram vendo o filme. Pergunto se ele gosta da música dos caras - é claro que eu sei que Dois Filhos de Francisco conta a história do Zezé di Camargo e Luciano. Aí ele diz que sim, acha linda. Mas gosta mesmo é de Raça Negra. Fim de papo. Mas o que me interessava ele já tinha me dito. Tinha, sim, wireless no quarto, "sin custo".

O que as pessoas mais querem saber é se o lugar de onde venho tem praia. "Não, sou como vocês", eu respondia. O Paraguai não tem praia e o pessoal fica fascinado quando alguém conta das maravilhas que é o litoral. A maioria das pessoas com quem falei só esteve em uma cidade brasileira: Foz do Iguaçu. As cataratas e tal. Querem saber onde fica Goiânia. Digo que é no centro do País e contam que sabem onde fica Brasília.

O futebol

Foi o futebol que me levou a Assunção. E o que achei mais legal na cidade foi conhecer o Defensores del Chaco. Por mim, faria vários passeios futebolísticos pelo mundo inteiro. Adoro conhecer estádios, ver jogos em qualquer lugar. Então, se você também é assim, vá ao Defensores del Chaco em Assunção. E ao estádio do Libertad, que eu não conheci, e ao Pablo Rojas, que foi o meu local de trabalho - à propósito, fui cobrir um jogo do Goiás contra o Cerro Porteño, pela Copa Sul-Americana. Só não pude ir ao museu do Defensores, o que foi chato.

Na rua, velhinho vendendo bandeira quer falar sobre futebol. Me pergunta o que conheço do futebol do Paraguai. Gamarra, Arce, o novo time dos dois (o Guarani), o que li sobre o Cerro Porteño pra fazer matéria do Goiás e só. Pergunto o time do coração. Ele me pergunta qual é o maior time do Paraguai. Digo que não sei. Tem o Cerro e o Libertad, que são os dois maiores rivais. Um é mais popular, o outro conquistou mais títulos. Vou lá saber que o Libertad ganhou três Libertadores e sei lá quantas Mercosul, Interamericana e sei lá mais o quê. Sei que ganhou Libertadores, mas não que fez isso três vezes.

Devia ter tirado onda quando ele me perguntou se o Goiás é time como Flamengo, Palmeiras e esses grandes. Devia ter respondido: "Sabe nada de futebol brasileiro, hein?". Mas não posso culpá-lo. De jeito nenhum.

Entrando

O carinha da imigração disse que meu documento estava vencido. Era a carteira de identidade. Não entendi nada. É que não é preciso passaporte pra ir ao Paraguai. Você pode entrar no país com o seu documento de identificação. Eu tenho passaporte, mas não queria usar porque ele tem uma informação errada. Diz que eu nasci em Goiânia, mas eu nasci em Itumbiara. Fico com medo de me acusarem de falsidade ideológica. Vai saber. E é por isso que usei a minha carteira de identidada pra entrar lá. E aí me vem o carinha dizer que ela está vencida. Não dei muita atenção. Só disse a ele que não existe isso de prazo de validade pra carteira de identidade.

Mas é aquele negócio. A carteira de identidade tem mais de dez anos, mas me disseram que eles só levam isso em conta se o documento não der pra identificar a pessoa. E a minha identidade, mesmo com mais de dez anos, me identifica perfeitamente. Aí respondi ao paraguaio com um ar de "eu só saio daqui pra entrar no Paraguai e não pra voltar pro Brasil".

Uma beleza de espanhol

Não falo uma palavra em espanhol. Gracias, buenas (e derivados, como buenas noches, buenos dias), la cancha, delantero, arquero e médio-campista, periodista, periodico, quanto cuesta, cerrar (cerrado, que não é o bioma), tomar un taxi. E aprendi viernes, que é sexta-feira, mas às vezes eu me pegava dizendo "until viernes" pra dizer que eu ia ficar até sexta-feira em Assunção. Sou um desastre mesmo. Mas eu aprendi uma palavra importante: capullo. Só não consegui usá-la, porque achei melhor não xingar ninguém no Paraguai. Não em voz alta.

A moeda

"Ochenta mil", me responde o taxista sobre o valor da viagem até o hotel do Goiás. Chegando no Paraguai, só me preocupei mesmo em encontrar alguém do clube e fazer matéria, o motivo que me levou, inclusive, ao Paraguai. Pensaria no meu hotel depois.

Aí o meu companheiro de viagem me olha até assustado ao ouvir o valor do táxi. Nem me importo. Na verdade, não tô nem aí. Como eu vou saber se o valor é o justo ou não? "Não conheço Assunção, você conhece?", pergunto a ele. Então, vamos nessa. A única coisa que eu sei é fazer a conversão pra reais, porque não sou retardada. Mas vou lá saber se o cara tá cobrando a mais ou não. Isso só vou descobrir depois de pegar mais uns dois táxis.

É difícil entrar no ritmo da moeda paraguaia no início, mas depois fica ok. Os números são sempre altos, mas eu tinha lido antes que é melhor trocar o dinheiro na moeda local e usá-lo assim. Eu até gastei alguma coisa em reais, mas gastei mesmo em guaranis.

***

No final das contas, o que as pessoas querem é fazer a diferença. E quando isso não acontece, bate aquela sensação de vazio, de solidão, de inutilidade, de que nada importa muito. Bate um comodismo. Que diferença você faz? Já pensou nisso hoje? Se não faz diferença você ser você, é melhor desistir até disso mesmo, desse lance de ser você. Mas aí eu não desisto. Faço por mim.

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Trabalhando nas playlists. As mais difíceis que eu já fiz.

Quarta-feira, Outubro 14, 2009

Indo pra Itumbiara, obras na BR-153. Eu sempre pego algum congestionamento indo para o jornal pela rodovia. Tanto que, nos últimos tempos, tenho feito outros caminhos. Mas pra ir pra Itumbiara, adivinhem? Não há outro caminho. Eis que, bem ali, depois do único radar que funciona, aquele de 40km/h, pego um megacongestionamento no sábado, primeiro dia do feriado prolongado de Dia das Crianças. Opa, feriado do dia da padroeira do Brasil.

Pensei: quem é o gênio que não sugere a paralisação das obras por causa do trânsito mais intenso no feriado? Não faz tanta diferença assim, na minha opinião. Aí descubro, parada no congestionamento e andando a no máximo 4km/h, que esqueci uma coisa em casa. Estou indo pro aniversário da minha priminha e esqueço os presentes dela. Básico! Começo a tentar lembrar onde é o próximo retorno. Equação óbvia: vou passar uma vez pelo congestionamento, retornar, andar mais de 20 km de volta até em casa, pegar os presentes, sair de novo, andar mais de 20 km até o congestionamento e passar, de novo, pelo trânsito devagar.

No momento em que estou fazendo as contas, aparece alguém no vidro, pelo lado de fora, e bate. Me mostra uns cds. Dispenso. Aí ele: "Não quer? É de graça!" Abaixo o vidro. E solto: "Olha aqui! Não é só porque é de graça que eu vou querer. Deve ser algum cd de música sertaneja ruim, o que já me faz recusar e te amaldiçoar. Além disso, se eu quero ouvir música durante a MINHA viagem, no MEU carro, certamente já tenho o que preciso. Sou uma pessoa que escolhe a trilha sonora antes de viajar. Se é bom e eu quero ouvir, eu já tenho aqui."

Não, não disse isso. Abaixei o vidro e disse: "Mesmo assim eu não quero. Obrigada."

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Foi um homem quem escreveu o que reproduzo abaixo. Felipe Machado, que tem um blog muito legal e tem o link aqui do lado. Foi em setembro ainda e eu sempre quis colocar aqui. Mas esquecia. É estranho quando alguém decifra assim as coisas mais simples.

"Somos obrigados diariamente a fazer escolhas em que razão e emoção se contrapõem, e isso gera sempre aquela dúvida: 'como teria sido minha vida se eu tivesse feito uma escolha diferente?'. É chato viver assim. É bom tomar decisões e assumir as responsabilidades que vêm com elas. Seria caótico se todo mundo vivesse baseado 'no que teria acontecido se algo fosse diferente'. Teríamos bilhões de realidades paralelas, já que toda decisão gera um número de consequências igualmente e infinitamente variáveis. Espero que isso não seja um conselho, mas vamos lá: é importante ficar com quem você gosta, mas também é importante ficar com alguém que gosta de você. Desde que o mundo é mundo, nosso objetivo é procurar uma pessoa que preencha esses dois requisitos. Boa sorte para todos nós."

Quarta-feira, Setembro 16, 2009

Faz tempo que não tomo chá. O quente, porque o gelado eu tomo direto.

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Nem falei que ouvi o Humbug. Ouvi atrasada, lógico, porque não tenho tido tempo pra nada.Mas o disco é bom, mais bem acabado, bem produzido e os arranjos são mais elaborados. E o Alex Turner não tem mais espinhas no rosto. As músicas são mais (bem mais) longas e menos (bem menos) frenéticas. Não sei se fiquei influenciada, mas parece que dá pra ouvir umas guitarras estilo Queens of the Stone Age na faixa 5. Aí fico achando que é por causa do Josh Homme, que produziu o disco, o que é bem legal, porque o Josh Homme é um dos caras mais legais do rock atualmente. Aí eu animei e voltei a ouvir o "Wathever people say I am, that's what I am not" e o "Favourite Worst Nightmare".

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A Fabi pulou o outubro e eu já estou planejando o novembro. A gente vive no futuro.

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Tenho memória fraca. Esqueço tudo. E esqueço as coisas que eu já li na vida. Pensei nisso quando vi, na livraria, o Confissões de Adolescente, que deve ter sido o primeiro livro que eu quis ler eu mesma, por vontade própria. Coisas de adolescente e as nossas confissões, sacomé. E aí pensei que eu não lembro detalhes dos livros que amei ler. Aí lembrei da história do MIFU do Confissões e fiquei um pouco mais tranquila. Mas não lembro muito do Mais uma vez, que li no ano passado e achei ótimo. Literatura pop inglesa é meu ponto fraco. Aí pensar nos livros mais legais que eu já li e dos quais não lembro detalhes me fez chegar em casa e folhear o Subterrâneos do Futebol. Acho que é o livro que acho mais legal de ter. Hoje ele é editado com outro nome: Histórias do Futebol. As reedições deviam ser vetadas só por causa desse nome.

Tenho o maior orgulho de ter uma edição de 1968, comprada num sebo. Pode até não representar muita coisa, porque não é uma edição herdada de alguém da família e tudo o mais. Mas é um ano meio emblemático o de 68, por causa da ditadura e por pensar que o momento político influenciou a saída do Saldanha da seleção, que ele estava montando pra 1970. Isso me faz pensar no tipo de pessoa que descartou esse livro. É graças a ela que eu o tenho. Acho lindas as folhas gastas. Tem o durex na parte da encadernação já gasta, as folhas grossas e amarelas, a palavra jogo escrita com acento circunflexo (jôgo). E o que tem dentro. Os anos de Saldanha no Botafogo, as histórias e lendas do Garrincha, a relação com a imprensa esportiva da época. Sobre a Copa de 70 não tem, mas isso tem em outros livros.

Terça-feira, Agosto 25, 2009

Mudanças. Tenho pensado nisso nas últimas semanas. Tenho tentado avaliar as mudanças que aconteceram comigo em muitos aspectos. Como profissional, em família, com os amigos - na hora de fazê-los e pra conviver com os antigos. Muito difícil essa avaliação, mas acho que o que mais mudou na minha personalidade foi o modo de sentir o silêncio. E acho que a solidão também.

É que moro sozinha há dois anos e meio. O silêncio nunca me incomodou, mas acho que não o "ouço" há dois anos e meio. E a solidão... Bem, eu sempre achei que era legal ficar sozinha. Mas quando isso deixou de ser uma opção, passei a pensar mais.

As companhias, eu as valorizo demais. Essa é a parte boa de se passar bastante tempo sozinha. A gente valoriza mais as coisas que não tem o tempo todo. Recentemente, a mãe passou uma semana lá em casa. Não teve silêncio. E aquilo foi bom demais.

Não sinto falta de dizer "bom dia", "boa noite", essas coisas. Não é nada disso. Quando eu sinto falta de um "durma bem" de alguém querido, tenho o telefone. Então, não sei bem explicar de que forma o silêncio e a solidão têm me incomodado. Mas têm.

Quando ser submetida ao silêncio não foi mais uma escolha minha, eu passei a querer barulho. Chego em casa e ligo a televisão. É automático. Eu nem tiro a bolsa e já ligo a televisão. Ou canal aberto ou algo no dvd. Se não tem nada legal, ouço alguma música. Acho que é por isso que tem faltado concentração pra ler. É algo solitário e silencioso.

Não me importo de fazer coisas sozinha. Não é que não faça questão de companhia. Eu faço. Adoro almoços animados e falantes. Mas não deixo de almoçar em restaurantes ou shoppings porque estou sozinha. Vou do mesmo jeito. Cinema, livraria, cafés. Vou numa boa. Só balada que não e ainda assim eu já fui uma vez.

Não acho que tudo fica melhor com alguém do lado. Eu sou tão ranzinza que acho que às vezes fica até pior. Mas as minhas companhias na vida têm sido tão boas, que está difícil querer só os meus momentos. Quero momentos com as pessoas.

Terça-feira, Agosto 18, 2009

Jogo em meio e fim de semana + Jogo do Flamengo + Anúncio do Fernandão + Exclusiva com Fernandão + Carreata do Fernandão + Coletiva do Fernandão + Fernandão de helicóptero + O diabo a quatro de Fernandão + Mãe em casa = trabalho extenuante e não ter tempo pra nada. Nem pra falar com a grande amiga. Nem pra ler uma página sequer do meu livro. Nem pra entregar um dinheiro pro zelador do meu prédio. Nem pra escrever aqui. Nem pra escrever no blog do Goiasnet. Nem pra recuperar minha voz.

Mas isso aí foi há duas semanas. Aí na outra semana foi assim: Cobertura diária + Viagem marcada + Arrumação em casa + Ribeirão Preto + Copa Peugeot + Cansaço + Quatro dias fora + Chegada à noite, direto para um bar + Dormir no outro dia + Recomeçar cobertura de clube = Continuar sem tempo.

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Foram alguns dias fora, e sem tempo para passar aqui. Cobrir rali, lançamento de carro de competição e curso de pilotagem na terra em Ribeirão Preto. Rali de regularidade na programação. Último lugar nada honroso, com a perda de dez vezes o número de pontos (1.003) que a equipe campeã perdeu (101). Como disse alguém, "não quero te desanimar mas deve ser o recorde de pontos perdidos na história da Copa Peugeot". É. Desanimou, não. Imagina.